Terceira Igreja Presbiteriana de Rio Claro

Rua Nove, 1983 - Santa Cruz - 13500-220

terceiraipbrc@gmail.com

(19) 3617.7879 | (19) 3617.7880

(19) 99657.5047

  • Facebook
  • YouTube
Buscar
  • 3ª IPB Rio Claro

Por Trás do Corpus Christi

“Em memória mim” - Lucas 22.19


As controvérsias em torno da Eucaristia não são novas. Não é exatamente uma questão havida apenas nos dias da Reforma Protestante. Os pais apostólicos, como Inácio de Antioquia, se viram às voltas com disputas acirradas com os gnósticos que possuíam uma interpretação exageradamente mística desta celebração. Devido às várias interpretações, não poucos autores da patrística foram forçados a dizer algo a respeito. Muitos documentos de orientação litúrgica e instrução catequética foram publicados para conduzir a Igreja em meio as suas dúvidas: as Constituições Apostólicas, a Didaqué, As Tradições de Justino e Hipólito etc.


A palavra que mais prevaleceu entre os cristãos antigos para a celebração do memorial do Senhor foi: “Os santos mistérios”. Este mistério não significava que havia algo de nebuloso, acessado apenas pelos iluminados, mas a comunicação de uma graça invisível prometida a todos os que, crendo, obedeciam ‘fazendo isso em memória de mim’. A Eucaristia era sinal, símbolo, presença, sacramento e memorial. A presença nunca foi, de fato, negada pelo cristianismo histórico. Mas, nunca foi uma presença física, local e substancial. Antes, essa presença era espiritual, real e nunca nos elementos, mas na assembleia reunida para a celebração.


Porém, em 11 de agosto de 1264 o papa Urbano IV instituiu a festa de Corpus Christi. Este costume de celebrar um dia festivo em honra do Corpo e Sangue de Cristo já existente na piedade popular ignorante de Bíblia e Doutrina, estendeu-se para toda a Igreja ocidental. Tomás de Aquino foi o encarregado pelo papa de criar um ofício litúrgico para essa nova celebração. Em 1317 o papa João XXII publicaria a Encíclica Clementina ordenando o dever da procissão com a Eucaristia pelas vias públicas.


Resta-nos saber se há alguma coisa a ser aproveitada pelos evangélicos do século XXI a respeito da superlativa importância dada pelos católicos a esse sacramento. À parte do exagero e, claro, da grassa idolatria de um elemento criado, no caso o pão, em muitos contextos evangélicos, tradicionais e conservadores inclusive, a Ceia do Senhor tem sofrido cada vez maior indiferença e desprezo até. Muitos até substituem-na por outros “novos velhos” sacramentos, como unções, fogueiras, abluções em água, “arcas”, “templos sagrados” etc.


A pompa de Corpus Christi deveria ser um convite para os evangélicos retornarem com piedade, reverência e gratidão à singeleza do pão e do vinho como sinal de pertença e comunhão com Aquele que esperamos voltar um dia; aí, sim, em Corpo e Sangue glorificados para a vida do crente.




Luiz Fernando Dos Santos

Extraído e Adaptado da Revista Ultimato - 25/maio/2016

0 visualização